Redes sociais profissionais ganham força durante crise econômica no Brasil

O LinkedIn, maior rede social popular do mundo com mais de 400 milhões de usuários, alcançou 25 milhões de cadastrados no Brasil em abril. O crescimento, que chegou a 25%…em pouco mais de um ano, foi impulsionado pela crise econômica e pelo desemprego. Mas não foi só a empresa norte-americana que se beneficiou do cenário turbulento no País: outras redes sociais brasileiras focadas no mercado de trabalho, como o site de recomendação de empresas Love Mondays e o aplicativo de busca de talentos Good People, também registraram altas taxas de crescimento nos últimos meses.

“A utilização de redes sociais e aplicativos para impulsionar relações no mercado de trabalho é uma realidade”, afirma a especialista em carreiras da People & Results, Maria Cândida Azevedo. “As pessoas que estavam empregadas e foram mandadas embora agora estão vindo para essas redes.”

O Love Mondays permite que os usuários compartilhem na rede seus salários e avaliações sobre a empresa em que trabalham, de forma anônima. Nos primeiros quatro meses de 2016, a audiência do site cresceu mais de 23%, alcançando 1,1 milhão de visitantes únicos. Um novo recurso, que agora exibe vagas nos perfis das empresas cadastradas no site, foi um dos gatilhos do crescimento. “As pessoas gostavam do que os outros falavam sobre a

empresa, mas não sabiam se tinha vaga. Então, criamos essa ferramenta pra completar a experiência dos internautas no site”, explica Luciana Caletti, presidente executiva da Love Mondays.

Outro serviço brasileiro que está aproveitando o momento difícil é o aplicativo Good People, que permite que as pessoas compartilhem seus talentos na internet. Em meio à crise econômica, o número de usuários do aplicativo tem registrado alta de 5% a cada semana. “Nessa crise, uma pessoa pode ser cortada de uma empresa e decidir empreender”, diz a cofundadora da Good People, Ana Julia Ghirello. “As redes sociais facilitam muito esse processo.”

Perfil. Segundo os sites consultados pelo Estado, a maior parte dos profissionais que usam esse tipo de rede social têm entre 25 e 34 anos. Esta faixa etária, porém, não é a que tem concentra o maior número de desempregados no País. De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referente ao último trimestre de 2015, a maior taxa de desemprego está na faixa de 18 a 24 anos. Para Luciana, da Love Mondays, as redes sociais profissionais ainda não conseguiram “fisgar” os mais jovens. “A galera mais nova tem menos experiência,  então aproveita menos.”

As redes sociais profissionais também tendem a ter menos apelo entre os mais velhos, que são menos familiarizados com tecnologia. Para o gestor do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV, Luiz Fernando Moncau, o uso desses sites não é tão relevante para quem tem mais bagagem profissional. “Para pessoas em posição sênior, o nome no mercado e os contatos valem mais”, explica o especialista.

Postura. Saber se portar ao fazer qualquer tipo de contato profissional por meio das redes sociais é, na visão dos especialistas, fundamental. Segundo Maria Cândida, da People & Results, as empresas buscam os perfis de candidatos nas redes sociais antes de contratá-los. “É importante que o candidato conte sua experiência de maneira completa e sucinta”, diz a especialista. “Ele deve citar não só o que fez na vida profissional, mas explicar os desafios e quantificar resultados.”

Para Moncau, se o usuário se colocar bem em plataformas de discussão online, ele pode ser conhecido e lembrado por outros profissionais no futuro. Mas ele alerta que é preciso cuidado ao se relacionar online. “É importante que (o internauta) ache uma dose adequada para se promover ou se inserir em grupos na rede. Se passar do ponto, pode soar artificial ou antipático”, avalia.

Para Maria Cândida Azevedo, um perfil na rede social profissional não resolve todos os problemas: a ‘rede de relacionamentos real’ também precisa ser cuidada. “O melhor investimento do tempo ainda é o contato face a face”, reforça a especialista.

 

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